Texto base: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não vem das obras, para que ninguém se glorie. (Ef 2:8,9)

Na história da Igreja, muitas batalhas foram travadas em torno da doutrina da Graça de Deus, se ela precisa ser acompanhada, complementada, ou receber alguma cooperação da nossa parte. Os primeiros reformadores do séc. XVI foram unânimes em dizer “somente a Graça”.

A palavra “graça” significa favor imerecido. É um ato livre, espontâneo, que não teve um motivo ou merecimento naquele que recebe. Nesse sentido, a graça de Deus para nós, a Sua misericórdia, a Sua ajuda, seria totalmente livre e gratuita, não podendo ser adquirida, comprada ou conquistada por nada que façamos de bom.

I. A partir destes pensamentos reformados é que passamos a ter em nossas doutrinas e práticas?

1 – Afirmamos que não está em nós a capacidade de nos salvarmos. A salvação não pode ser comprada ou conquistada por nós. Na verdade, a salvação teve um preço sim, mas o preço era muito alto para que eu ou você pudéssemos pagar. Quem pagou foi Cristo. Ele comprou nossa salvação com Seu sangue e Sua obediência. Por isso a salvação vem de graça para nós, e tem que ser recebida de graça, como um presente. Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor (Sl 116:13).

2 – Afirmamos que nenhuma obra nossa contribui para a nossa salvação. SOLA GRATIA significa que nenhuma obra nossa pode nos salvar, a nossa salvação não acontece por causa de nenhum dos nossos atos, nem mesmo os atos que fazem parte da conversão. Isto é, na salvação nós nos arrependemos dos nossos pecados, confiamos nas obras de Cristo por nós, na morte de Cristo para o castigo dos nossos pecados e obedecemos a Cristo como Senhor; mas nada disso é que nos salva. Deus é que nos salva de graça, pois Ele é quem nos dá o arrependimento. A obra de Deus por nós e em nós é que nos salva, não as nossas obras, que Ele opera. De Deus é a iniciativa da salvação, d'Ele é a providência da salvação, d'Ele é o poder para a salvação. Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça (Rm 11:6).

3 – Contradizemos a religião interesseira. De graça recebestes, de graça dai (Mt 10:8). Falando da Graça, Jesus ordenou a Seus discípulos a imitarem em todo o seu comportamento o modo como Deus lhes deu a salvação. Se nos depararmos hoje com falsos crentes, exploradores e gananciosos, fazendo de nós negócio (2Pe 2:3) e achando que a piedade seja fonte de lucro (1Tm 6:5), podemos questionar se eles realmente creem na sola gratia, e questionar que diferença isso faz nas suas vidas. ‘O que vamos ganhar com isso? ’ É uma pergunta que está na cabeça de muitos crentes e igrejas hoje, mas não é uma pergunta deveria fazer alguém salvo pela Graça.

4 – Negamos que qualquer pessoa mereça ser salva. Pense nas melhores pessoas que viveram na terra, sem ter Jesus Cristo. Os homens ou as mulheres mais humildes, mais bondosos… nenhum deles merece ser salvo. "Não vem das obras, para que ninguém se glorie". Deus não nos deve coisa alguma. Ele só nos salvou porque teve misericórdia de nós: não por obras de justiça praticadas por nós, mas por Sua misericórdia, Ele nos salvou (Tt 3:5).

5 – Rejeitamos qualquer acréscimo para se garantir a salvação, além da Graça de Deus. Os fariseus que se converteram disseram que os novos crentes só seriam salvos se fossem circuncidados (At 15:1-5). Na Idade Média a Igreja Católica vendia indulgências para que algum parente melhorasse a situação de seus conhecidos no Purgatório. Mas junto com os apóstolos, nós cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo (At 15:11).

II. Por isso precisamos entender que:

1- Precisamos ter uma melhor aproximação de Deus para a salvação. Não podemos achar que somos por nossos méritos dignos de nos aproximar de Deus, o que devemos fazer é pedir a Deus que nos salve! Pedir para experimentarmos a conversão, o arrependimento e fé salvadora. E então, recebendo a Graça de Deus, seremos convertidos, nos arrependeremos e conseguiremos crer verdadeiramente. Precisamos que nosso relacionamento com o PAi comece direito: dependendo totalmente de d'Ele, dando glória somente a Ele, e não achando que devo fazer isso ou aquilo para “me salvar”.

2- Devemos rejeitar a opressão e o autoritarismo religioso. Se a Igreja é uma comunidade formada pela Graça de Deus, também se deve trabalhar nela pela Graça. Então a espontaneidade e voluntariedade devem ser as marcas de todos os trabalhos dos crentes na Igreja. Deve trabalhar todo aquele cujo coração se move para se chegar à obra para fazê-la (Ex 36:3). Portanto o servir no Reino não dve ser por obrigação e nem obrigado à ninguém, tal procedimento obscurece a Graça e impedindo muito do fluir verdadeiro de Deus na Igreja. Por outro lado, com recebedores da graça de Deus devemos nos dispor a servir a Ele através de sua Igreja e aos irmãos.

3 - A Graça de Deus tanto na salvação como na santificação. Ao mesmo tempo em que proclamamos que Cristo nos salva da condenação pela Graça, temos que concluir que o Espírito Santo nos transforma pela Graça. Ou é tudo pela Graça ou nada pela Graça. Não podemos ter a Graça pela metade.

Levar as pessoas à salvação pela Graça para depois abandoná-las sozinhas para cumprir a Lei de Deus por suas próprias forças é condená-las ao desespero. A santidade perfeita exigida por Deus foi cumprida por Cristo para nossa justificação e em nós é capacitada gradualmente pelo Espírito Santo para a nossa santificação. Lembremos que a obra gratuita do Espírito Santo já começou na conversão, antes de sermos ‘crentes’. A nossa santificação é a continuação desse processo. A Graça de Deus é a fonte, o motivo e a força que move a nossa santificação. Pela Graça, o poder do Espírito Santo torna a santificação possível. Pela Graça, Deus nos transforma dia após dia na imagem do Seu Filho Jesus.

Conclusão

Pela Graça, Deus nos salvou, pela Graça, Ele completa essa salvação.

Na justificação FOMOS salvos da condenação do pecado, na santificação ESTAMOS SENDO salvos do poder do pecado, na glorificação SEREMOS salvos da presença do pecado. Mas tudo pela Graça de Deus, do começo ao fim. Dependemos totalmente de Deus para tudo. Quanto a isso o Senhor nos alerta: sem mim nada podeis fazer (Jo 15:5).

Com relação a salvação, como está o seu coração? Você tem certeza que é um salvo (a) em Cristo? Muitos ficam esperando mudar de vida, deixar um determinado comportamento ou mal hábito, para então buscar a Deus. Não faça isso! Ele hoje que ter um encontro profundo contigo. Peça a Deus que salve sua vida hoje, que pela graça você seja alcançado. Como estudamos isso não depende de você é pela Graça. Peça ou Pai que derrame de Sua graça agora sobre sua vida.