O que significa Sola Fide? Qual a sua importância? Após o Sola Gratia iremos compartilhar é o Sola Fide. A razão disso é que a fé é a resposta do homem à manifestação da graça divina, sendo, então, sequente a ela. Sola Fide é o ensinamento de que a salvação é recebida pelo homem somente pela fé, sem qualquer interferência ou necessidade de boas obras. A grande questão aqui, então, é: sou salvo por causa de minhas boas obras ou da fé? Em outras palavras: sou aceito por Deus pelas obras ou pela fé?

Texto-base: Gênesis 4.1-5

Nesse texto bíblico, encontramos o registro da história de Caim e Abel que em um dado momento apresentam ofertas a Deus. Sendo a de Abel (que ofereceu a primícias de seu rebanho) aceita e a de Caim (que não se sabe claramente o que ofereceu) não foi aceita por Deus. Assim entendemos que a qualidade da oferta de Abel correspondeu às expectativas de Deus e a de Caim, não. Poderíamos afirmar que, se quisermos agradar a Deus temos que oferecer a ele o nosso melhor. Mais isso seria o suficiente para sermos aceitos por Ele?

INTRODUÇÃO:

Em Hebreus 11, há uma galeria de homens que agradaram a Deus e foram aceitos por ele por causa de sua fé. Além de Abel, há, por exemplo, Abraão, que é chamado de “pai da fé”. Em Gênesis 15.6, está escrito que Abraão ganhou créditos com Deus por ter crido nele. Na carta aos Hebreus temos também a definição de que fé é certeza e prova.

Por isso entendemos conforme está escrito que “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hb 11.6). Portanto o elemento fundamental para sermos aceitos por Deus é a fé.

Indo um pouco além, com base no todo da Bíblia Sagrada, podemos afirmar que fé é confiança. Deus é uma pessoa. Isso pode soar estranho aos ouvidos de alguns, mas é verdade. Ser pessoa não significa, necessariamente, ter corpo. A pessoalidade está, dentre outras coisas, na capacidade de interação, de amar e de ser amado. Dois seres humanos usufruem de sua pessoalidade quando se relacionam um com o outro. Entretanto, qual é a base de todo e qualquer relacionamento? A confiança. Assim, quando não há confiança, duas pessoas não se aproximam uma da outra para interagirem, por medo ou receio. O mesmo se dá no que se refere a Deus. Na verdade, quando Deus percebe que não confiamos dele, além de, pela desconfiança, nós não nos aproximarmos dele, ele não se agrada de nós e nos rejeita.

1. Vale a pena nos perguntarmos: como podemos confiar em Deus, e nos aproximarmos dele sabendo que ele irá se agradar de nós e não nos irá rejeitar?

A resposta está em Jesus. Jesus é a melhor oferta já apresentada a Deus. Ele se agradou muito dele e o aceitou. Pelo menos por duas vezes, Deus disse a respeito de Jesus: “Este é o meu Filho amado, em que me agrado” (Mateus 3.17; 17.5).

Desse modo, quem se apropria, pela fé, do sacrifício de Jesus, agrada a Deus e é aceito por ele. O autor de Hebreus escreveu: “Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo dos santos pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo. Temos, pois, um grande sacerdote sobre a casa de Deus. Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os 

corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada, e tendo os nossos corpos lavados com água pura” (Hebreus 10.19-22). Por Jesus, sem medo e com confiança, podemos nos aproximar de Deus com a certeza de que seremos agradáveis a ele e aceitos.

2. Qual deve ser a consequência de nossa aceitação por Deus?

A transformação de nosso caráter e conduta. Apesar de a fé em Jesus ser o grande segredo quanto a agradarmos a Deus e sermos aceitos por ele, há algo mais a ser dito. O nosso caráter e a nossa conduta também são importantes quanto a isso. Nossa justiça não é a base da nossa aceitação, mas deve ser uma consequência dela. Deus não nos aceita porque oferecemos o nosso melhor a ele (já vimos que ninguém conseguiria fazer isso), mas se agrada disso.

Davi escreveu em um de seus salmos: “Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás” (Salmo 51.17). Deus se agrada e nos aceita quando nos aproximamos dele em quebrantamento e contrição, ou seja, em caráter de humildade. Além disso, Paulo escreveu aos Romanos: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.1-2). Deus se agrada e nos aceita quando oferecemos a ele as nossas vidas, vivendo de maneira santa e de acordo com a sua vontade. Quem é agradável a ele, desfruta de uma vida agradável.

Conclusão:

Historicamente, o conceito de Sola Fide foi a base para Martinho Lutero desafiar a cobrança de indulgências pela Igreja Católica Romana e, por essa razão, é chamada de Princípio Material da Reforma Protestante, enquanto a Doutrina Sola Scriptura (Somente as Escrituras) é considerada Princípio Formal.

A Reforma Protestante, ainda que afirme que a obediência às Leis de Deus não é necessária para ser perdoado por Deus, não desconsidera as boas obras. Essa obediência é entendida como consequência e não causa de Deus ter outorgado a sua graça.

* Como agradar a Deus e ser aceito por ele? O caminho não é darmos a ele o nosso melhor.

* Quem conseguiria chegar lá? A resposta é a fé em Jesus e a consequente vida a partir disso.

* Você tem se sentido aceito ou rejeitado por Deus?

* Você tem medo e desconfiança dele?

* Quer mudar esse quadro?

Então, aceite pela fé a Jesus Cristo você será aceito por ele. Se arrependa dos seus pecados e busque uma transformação de seu caráter e do seu modo de viver.